
Parece clichê, mas eu era nova na cidade, quer dizer, tinha
acabado de mudar de volta. Não conhecia ninguém e não tinha coragem para falar
com ninguém, até porque as pessoas costumam rir do meu sotaque. Confesso: não é
que eu tenha vergonha dele, tenho muito orgulho de onde vim e sou amante eterna
de sotaques. É só que sempre tenho que me explicar: de onde eu vim, porque eu
morava lá e porque mudei de volta. Quando vejo já contei a historia da minha
vida toda para um completo estranho.
Em um dia de sol qualquer, acabei por conhecê-lo. Menino
bonito, educado, simpático e constantemente ficava vermelho por alguma gracinha
que seu amigo falava. Quando dei por mim, estávamos conversando. E ainda dizem
que curitibanos são fechados. Alem de adorar sotaques, tinha todos os
requisitos da minha lista de coisas que meninos namoráveis devem ter. Me
desculpe, mas a lista é confidencial.
Ele era diferente de todos ao seu redor. Conquistei e me conquistou.
Me levou para os lugares mais bonitos da cidade. Assistimos documentários de
literatura, conseguiu discutir linguística comigo. Aprendi a jogar vídeo game e peguei gosto
pelos esportes. Quando percebi, me
envolveu como ninguém jamais conseguiu. Até fez a vontade de casar tornar-se
constante.
Nossos olhos se cruzaram por vinte segundos. Nossa história
durou exatamente isso. Toda vez que nos encontramos, cada troca de olhares dá
seguimento ao nosso amor que infelizmente acontece apenas em meus pensamentos. Sabe
como é, sonhar não custa nada e ainda faz bem para o coração.


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